A história do pequeno Abacateiro que não ia vingar

Não percebo nada de árvores. Mas tenho um fascínio por elas, sinto que são as minhas fadas… Talvez pela imensidão da Serra de Sintra da minha infância e juventude, ou por alguém um dia me ter dito para ir abraçar uma árvore para acalmar as minhas frustrações de adolescência. De certo, pelos momentos bem passados no jardim da Gulbenkian. Já sei: pelos Carmina Burana no Grande Auditório da mesma fundação, com o cenário mágico daquele maravilhoso e mágico jardim, apenas iluminado por uns quantos holofotes e aquela imensidão de orquestra e coro em palco.

Início do século, pois foi!

A caminho do presente…
Fez agora um ano desde que uma maravilhosa buganvilia entrou na minha vida. Todos os dias me enche o pátio de lindas flores fúcsia. E também dá avisos com os espinhos dos seus ramos. A minha fada fúcsia todos os dias sacode a sua varinha de condão, sobre as nossas cabeças, à ida para o trabalho e para a escola. O pobre do carteiro também tem de passar por ela, para chegar à caixa do correio, e ela raramente é meiga com ele. Quem o manda trazer más notícias? Contas e avisos de recepção… Ora toma lá, tenho um espinho novo!…

Num passado mais recente…
Na última vinda ao Algarve, no Verão passado, a minha mãe trouxe-me um minúsculo abacateiro, num vaso improvisado, protegido por um palmo de rede e de pequeninas estacas. Dei-lhe uns dias e coloquei-o na terra. Oh, sacrilégio! Plantar o que quer que seja em Agosto, seis meses antes do tempo das sementeiras. Pobre árvore, torturada por mim! Ser frágil e mirrado, ao sabor dos meus caprichos. Tinha tudo para não vingar.

E agora…
A Primavera já se anunciou por aqui. O Inverno, perto do mar sempre foi ameno, mas bem húmido. Nada de grandes tempestades de vento, nem granizo, pelo menos que eu me tenha dado conta. E bem lá no meio das margaridas brancas e roxas, o abacateiro conseguiu criar mais umas folhas. Vingou. É um forasteiro como eu. Será a minha fada das pêra-abacate daqui a um par de anos. Temos grandes desafios pela frente, eu e a minha fada verde, mas juntas vamos conseguir.

O sinal, veio por intermédio da comunicação social local, para aumentar o meu optimismo:
Bruno Filipe Pires “Cultura do abacate e do pistácio com grande potencial no Algarve” in Barlavento, semanário regional do Algarve, 05.03.2017

E se a ciência está desta vez do meu lado, é porque tudo vai mesmo dar certo. Desta é mesmo de vez.

Assim, já só me fica a faltar o livro.
Filhas: tenho duas.
Plantar uma árvore: um abacateiro no Algarve.