Filhos e dilemas da educação, primeiro ano

Sou mãe babada de duas filhas lindas, com sete e quatro anos. A mais velha, alfacinha e sonhadora como eu, e a mais nova, com toda a minha genica e teimosia, mas já farense, são o meu porto seguro. Apesar das minhas ausências por motivos profissionais, são ambas crianças muito autónomas, felizes e saudáveis. Nunca faltou afecto, nem colinho. Fui uma mamã sling até bastante tarde. E os avós sempre estiveram muito presentes.

Em Setembro a M. entrou no primeiro ano. Animada, interessada, muito sociável tanto com adultos como com outras crianças, o início foi muito promissor. Mas o calendário escolar já vai a quase dois terços e o resultado emocional e académico está aquém do esperado.

Agora, vou pôr o dedo na ferida e dizer o politicamente incorrecto: sou a favor dos trabalhos de casa. Porquê? Porque acho que é necessário consolidar a matéria num ambiente mais familiar para a criança, a repetição faz parte do processo de aprendizagem, e os trabalhos de casa são geralmente curtos e divertidos. Sim, já fiz a simples conta de subtração das horas passadas na escola; sim, fazemos refeições em família e ao jantar contamos o nosso dia; sim, ambas têm imenso tempo livre e fazem o que lhes dá prazer, especialmente ao ar livre; sim, fazem outras actividades para além da escola; sim, estão geralmente na cama às 20h30 e são madrugadoras.

Sim, fazer os trabalhos de casa é um terror para todas as partes envolvidas.

Fonte: Pixabay (Creative Common CC00)

Sempre fui muito marrona, não porque me sentisse obrigada pelos meus pais, mas porque sempre gostei de aprender sobre tudo e mais alguma coisa. Ainda hoje em dia, comporto-me como uma maria-sabichona, apesar de não pôr a pés numa universidade há mas de sete anos. Nunca me faltou nada: tinha televisão à disposição, vídeo, música, Spectrum, consola, brinquedos e mais tarde a internet; uma família gigante de primos e tios e amigos-irmãos-afectivos e grandes festas em família no Natal, Páscoa e férias de Verão. E a escola estava sempre em dia, apesar do acesso à tecnologia de então.

Confesso que sinto o chão a fugir-me debaixo dos pés, porque  o drama dos trabalhos de casa parte-me o coração de mãe. É um desinteresse e uma frustração tão grande da parte da M. que uma tarefa curta leva quase uma hora. O pai e eu já pusemos em marcha uma estratégia muito positiva para resolver e minimizar este problema. Portanto, temos agora um caminho sinuoso pela frente.

Mas em todo o meu ser, o problema adensa-se: e quando for adolescente? Ou pior, adulta? Também se vai desinteressar ou até desistir das coisas?

A minha M. está a passar um mau bocado na escola. E não é para menos. Lida com pais exigentes e a favor dos trabalhos de casa. Fonte: Pixabay (Creative Common CC00)
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