O despertar do Abacateiro (2.0)

O abacateiro do meu jardim foi enxertado há uns tempos e o enxerto não pegou. Levou uma estaca de um lindo e produtivo abacateiro algarvio mas não gostou: os ramos não eram compatíveis apesar do meu abacateiro moçambicano ter-se integrado tão bem no Algarve. Cheguei a pensar o pior: ali ficou um pau de abacateiro, desolado, perdido no meio de um pedaço de jardim que aos poucos voltou a ser dominado pelos trevos e pelas pequeninas espigas.

De repente, quase por milagre da natureza, o abacateiro voltou a rebentar, mas por baixo do enxerto. Dois pequenos ramos, que ganharam força em viçosas folhas foram crescendo. A estaca ficou, para lembrar o erro que é apressar a natureza e querer à força algo de uma coisa que ainda não o é, mas que nós queremos muito que seja…

 

Assim se passou com o Abacateiro no Algarve. Mudei-lhe o domínio, o rumo e até fiz uns rascunhos de uns temas de viagens, na esperança de o tornar algo que ele nunca foi. Só que o tempo foi passando e o Abacateiro não evoluiu.  A resposta veio quase um ano depois do enxerto: o Covid 19, essa doença que a todos mudou a vida, pôs em causa as verdades absolutas dos nossos hábitos de consumo e nos trancou em casa, mudou o turismo e hibernou as viagens, fez disparar todos os alarmes e acordou a blogger que há em mim. Falar de viagens não estava no caminho real do Abacateiro, e eu acho que para já pouco ou nada sobrou para os blogs de viagens. Os seus bloggers e instagramers encaixam temporariamente na mesma categoria de alguns rezingões do antigamente, dos saudosismos de outras terras, outras simplicidades perigosas de tempos de baú de pau preto, com direito à estatueta “no meu tempo”.

No meio de tanta adaptação e aprendizagem dos últimos meses, até pelo excesso de tempo de cadeira, de computador e de uma necessidade de procura de respostas concretas aos novos desafios que aí vêm, o Abacateiro vai voltar a ser alimentado. Novos textos, novos rumos, novas responsabilidades: estamos a falar também de dinheiro, obviamente. Até porque mesmo as boas vontades e solidariedades sociais acabam sempre por ter de encontrar a sustentabilidade financeira. E o Abacateiro para existir, assim tem de ser. Se há coisa que não vai mudar é a necessidade de trabalhar e ganhar dinheiro e já está na hora do Abacateiro no Algarve começar a gerar grandes abacates.

O Abacateiro terá de crescer e não irá voltar a mudar de lugar, como quem diz de morada ou site. Um plano de conteúdos, outro plano de sustentabilidade e alguma dose de maria-sabichice e palpites sobre tudo e sobre nada e algo já está para chegar. Algo de mim que sempre adorei partilhar e ensinar e que espero sinceramente que dê grandes frutos.

Todos temos de aprender a reinventar-nos, não acham?

Dois anos depois de uma longa hibernação, o Abacateiro acordou.

Bem vindos ao Abacateiro no Algarve.

Fonte: Pixabay (Creative Common CC00)

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